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Boi Caprichoso é vencedor do 59º Festival de Parintins

  • há 14 horas
  • 3 min de leitura

Boi da Estrela vence o Festival de 2026 após três noites de apresentações marcadas pela valorização dos povos originários, da cultura popular e da identidade amazônica

 

Foto: Alexandre Vieira/Clara Mourão/Michel Amazonas
Foto: Alexandre Vieira/Clara Mourão/Michel Amazonas

 

Parintins (AM) – Com o tema “Brinquedo que Canta seu Chão”, o Boi Caprichoso foi consagrado campeão do 59º Festival de Parintins. A apuração das notas, realizada no Bumbódromo na tarde desta segunda-feira (29), confirmou a vitória do boi negro com diferença de sete décimos.

 

Caprichoso somou 1.259,0 pontos e conquistou seu 27º título, superando o Garantido, que obteve 1.258,3 pontos. Na primeira noite de apresentações, os dois bumbás empataram tecnicamente com 419,6 pontos cada. Na segunda noite, o boi azul e branco abriu vantagem ao marcar 419,7 contra 419,3 do Garantido. Já na terceira e última noite, o Caprichoso repetiu o desempenho com 419,7 pontos, enquanto o Garantido ficou com 419,4, selando a vitória azulada.

 

Assim que o resultado foi anunciado, a nação azulada tomou as ruas de Parintins em passeata e carreata rumo ao Curral Zeca Xibelão, onde itens oficiais, diretoria e torcedores celebraram a conquista com muita festa.

 

Ao celebrar a vitória, o presidente Rossy Amoedo destacou a importância do trabalho coletivo.

 

"Foi um momento muito especial para todos nós. Houve muito trabalho, muita doação e muita dedicação de um grupo que colocou amor e sentimento nessa vitória. Quero parabenizar todos os conselheiros do Caprichoso, na pessoa do presidente do Conselho de Arte, Ericky Nakanome; o diretor de Arena, Edwan Oliveira; toda a nossa diretoria; os itens individuais e coletivos; a Raça Azul; a Vaqueirada; a Marujada e todos que colocaram a mão para construir esse projeto. O Caprichoso merece esse título. Gratidão a todos", comentou.

Foto: Clara Mourão/Michel Amazonas/Assessoria de Comunicação Boi Caprichoso
Foto: Clara Mourão/Michel Amazonas/Assessoria de Comunicação Boi Caprichoso

 

O projeto artístico do bumbá azul e branco foi estruturado em três atos, que exaltaram a ancestralidade, a identidade amazônica e a resistência dos povos do Norte. Ao longo das três noites, o espetáculo combinou tradição, tecnologia, alegorias imponentes e forte apelo cênico, emocionando o público presente no Bumbódromo.

 

Realizado entre os dias 26 e 28 de junho, o Festival de Parintins reuniu milhares de entusiastas pela cultura amazonense para prestigiar Caprichoso e Garantido. Ambos os bois levaram ao maior palco da Região Norte denúncias de caráter socioambiental e sociocultural, incorporadas em projetos que são desenvolvidos ao longo de cerca de 10 meses de preparação por cada associação.


 

Primeira noite: "O Chão de Origem" resgata as raízes do Caprichoso

 

Foto: Alexandre Vieira/Clara Mourão/Michel Amazonas


Na abertura do festival, o Caprichoso apresentou o subtema "O Chão de Origem", destacando Parintins como território de memória, ancestralidade e pertencimento. O espetáculo valorizou a história do boi-bumbá por meio da Figura Típica Regional O Brincador de Boi-Bumbá de Parintins, homenageando os tradicionais redutos azulados da ilha.

 

Entre os momentos de maior impacto estiveram a Lenda Amazônica "Cobra Grande – A Deusa da Encantaria", marcada por transformações cenográficas e pela entrada triunfal da Cunhã-Poranga Marciele Albuquerque, além do retorno do ex-Amo do Boi Rei Azevedo, que emocionou o público ao voltar à arena. O encerramento ficou por conta do Ritual da Tucandeira, do povo Sateré-Mawé, protagonizado pelo Pajé Erick Beltrão.

 

Segunda noite: Amazônia como território sagrado e vivo

 

Foto: Michel Amazonas/Assessoria de Comunicação Boi Caprichoso


Na segunda apresentação, o subtema "O Brinquedo Ancestral Canta: Amazônia, o Chão da Vida" colocou a floresta no centro da narrativa, exaltando sua biodiversidade, espiritualidade e os povos que a protegem.

 

A grandiosa alegoria da Lenda Amazônica "Curupira, o Guardião da Vida" foi um dos destaques da noite, assim como a transformação da Cunhã-Poranga em onça-pintada e onça-negra. Outro momento histórico foi a participação de Lup Moara como a primeira mulher trans a defender o item Tuxaua no Festival. A apresentação terminou com o Ritual de Transcendência Assurini, em um espetáculo de forte impacto visual protagonizado pelo Pajé Erick Beltrão.

 

Terceira noite: resistência, brasilidade e afirmação do Norte


Fotos: Alexandre Vieira/Assessoria de Comunicação Boi Caprichoso


Encerrando sua participação, o Caprichoso levou à arena o subtema "O Brinquedo da Resistência Canta: Norte Brasil – Chão de Bravos", transformando o espetáculo em um manifesto de valorização da Amazônia, da cultura cabocla e da herança afro-indígena.

 

A Lenda Amazônica "Nhaçã-Heká – Macacos Comedores de Gente", a homenagem às Farinheiras da Amazônia e a Exaltação Cultural "O Auto do Boi Brasileiro" reforçaram a defesa da identidade cultural nortista. O encerramento aconteceu com o Ritual Indígena "Povo do Céu", inspirado na cosmologia do povo Xikrin, em uma apresentação marcada pela imponência cênica e pela força simbólica.

 

Com um projeto que equilibrou tradição e inovação, o Caprichoso encerrou sua participação transformando a arena em um palco de celebração da Amazônia e confirmou o favoritismo ao conquistar o título do 59º Festival de Parintins.



Fonte: Assessoria de Comunicação Boi-bumbá Caprichoso


 

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